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Musculação e Radioterapia


Receber um diagnóstico de câncer e iniciar um tratamento como a radioterapia é uma jornada que traz muitas dúvidas e incertezas. Em meio a tantas informações e cuidados, uma pergunta comum surge para muitos pacientes: "Posso continuar ou começar a fazer musculação durante a radioterapia?". O receio de que o exercício possa atrapalhar o tratamento ou causar algum mal é compreensível. No entanto, a ciência tem uma resposta cada vez mais clara e animadora para essa questão. Já falamos aqui sobre o exercício físico e as respostas durante a quimioterapia, mas e com a rádio? O que muda?


Longe de ser uma vilã, a prática de exercícios de força, como a musculação, quando bem orientada, não apenas é segura, mas se revela uma poderosa aliada durante o tratamento radioterápico. Este artigo foi criado para você, que está passando ou irá passar por essa fase, com o objetivo de oferecer informações baseadas em evidências científicas, em um tom acolhedor, para que possa tomar a melhor decisão para o seu corpo e sua mente.


O que a Ciência Diz: Benefícios Comprovados

Diversos estudos científicos robustos têm demonstrado que a prática de exercícios físicos, incluindo o treinamento de resistência (musculação), durante a radioterapia traz mais benefícios do que riscos. Em vez de "roubar" a energia que o corpo precisa para se recuperar, o exercício ajuda a criá-la, combatendo um dos efeitos colaterais mais comuns do tratamento: a fadiga.


A fadiga relacionada ao câncer (CRF, na sigla em inglês) é um sintoma angustiante e persistente que afeta mais de 65% dos pacientes em radioterapia . Pesquisas mostram que o exercício físico é uma das intervenções mais eficazes para reduzir essa fadiga, superando até mesmo tratamentos medicamentosos .


Além de combater o cansaço, a musculação ajuda a preservar e até a aumentar a massa e a força muscular, que podem ser perdidas durante o tratamento devido à doença e à inatividade. Manter os músculos fortes é fundamental para a capacidade funcional, ou seja, para continuar realizando as atividades do dia a dia com independência e vigor. Estudos específicos com pacientes de câncer de mama em radioterapia, por exemplo, mostraram um aumento significativo na força dos membros superiores e inferiores com um programa de musculação de 12 semanas .


Os benefícios se estendem para a saúde mental, com redução de sintomas de ansiedade e depressão, e para a qualidade de vida de uma forma geral. Pacientes que se exercitam relatam sentir-se mais dispostos e capazes de enfrentar o tratamento .

Benefícios do Exercício Durante a Radioterapia

Detalhes e Evidências

Redução da Fadiga

Combate a fadiga relacionada ao câncer, um dos efeitos colaterais mais comuns e debilitantes .

Melhora da Força Muscular

Aumenta a força nos membros superiores e inferiores, ajudando a manter a independência funcional .

Qualidade de Vida

Melhora o bem-estar geral, a disposição, o humor e reduz sintomas de ansiedade e depressão .

Redução de Toxicidades

Ajuda a mitigar efeitos colaterais do tratamento, como toxicidades urinárias e intestinais em pacientes com câncer de próstata .

Segurança

Considerado seguro e praticável, sem relatos de efeitos adversos graves quando realizado com supervisão adequada .

Recomendações Práticas: Como Começar com Segurança


A principal mensagem é: converse com sua equipe de saúde. Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, a aprovação do seu médico oncologista é indispensável. Ele poderá avaliar seu estado de saúde geral e dar o sinal verde. Idealmente, o acompanhamento deve ser feito por um profissional de educação física ou fisioterapeuta com experiência em pacientes oncológicos.


As diretrizes gerais, baseadas em instituições de referência como o MD Anderson Cancer Center e o Instituto Oncoguia, sugerem um caminho :

•Comece Devagar: Se você era sedentário, não tente compensar o tempo perdido. Comece com atividades leves e aumente a intensidade e a duração gradualmente. O mais importante é a consistência.

•Combine Exercícios: A combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada, bicicleta ou natação) com o treinamento de força (musculação) parece ser a mais eficaz . A recomendação geral é de 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, complementada por duas sessões de musculação.

•Ouça seu Corpo: Haverá dias de mais e menos energia. Respeite seus limites. Em dias de muito cansaço, uma caminhada leve ou uma sessão de alongamento pode ser mais benéfico do que um treino intenso. O importante é não ficar parado.


Sinais de Alerta: Quando a Pausa é Necessária

A segurança é sempre a prioridade. Existem situações em que o exercício deve ser evitado ou adaptado. A comunicação com sua equipe médica é crucial para identificar esses momentos. De acordo com o Instituto Oncoguia e o BreastCancer.org, fique atento às seguintes condições :

Não se exercite se apresentar:

•Anemia (níveis baixos de glóbulos vermelhos).

•Níveis baixos de glóbulos brancos (aumenta o risco de infecção, portanto, evite academias públicas).

•Febre, dor, náuseas ou vômitos.

•Tontura, visão turva ou problemas de equilíbrio.

•Inchaço (linfedema) que piora com o exercício.


Além disso, algumas precauções são importantes. A pele irradiada fica mais sensível, por isso, evite piscinas com cloro que podem causar irritação . Se você tiver um cateter, evite exercícios na água e treinos de força que tensionem a área do cateter .


Uma Decisão Compartilhada para o seu Bem-Estar

A decisão de fazer musculação durante a radioterapia é sua, mas ela deve ser tomada com base em informação de qualidade e em diálogo constante com seus médicos e, se possível, com um profissional de educação física. A ciência mostra que, para a maioria dos pacientes, os benefícios superam em muito os riscos.

Encare o exercício não como uma obrigação, mas como parte ativa do seu tratamento e do seu cuidado. É um momento para se reconectar com seu corpo, celebrar sua força e construir, dia após dia, uma base mais sólida para sua recuperação e sua vida após o câncer. Dê o primeiro passo: converse com seu médico.


Referências

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