Motivação x Disciplina... quem vence essa corrida?
- Plinio von Zuben Jr

- 23 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Vivemos uma época em que tudo parece precisar ser rápido, intenso e imediato. Resultados rápidos, mudanças rápidas, transformações visíveis em pouco tempo. Mas quando olhamos com um pouco mais de calma — e com honestidade — percebemos que as pessoas que realmente têm resultados duradouros são aquelas que desenvolveram algo muito menos glamouroso: constância. Constância anda de mãos dadas com resiliência e disciplina, e nenhuma delas nasce pronta. Todas são aprendidas, treinadas e fortalecidas ao longo do tempo.
Hoje já sabemos que motivação, apesar de importante, tem um poder limitado. Ela ajuda a começar, mas raramente sustenta alguém por muito tempo. A motivação se comporta como a bateria de um celular: pela manhã está cheia, ao longo do dia vai sendo consumida e, se não houver uma estrutura por trás, ela simplesmente acaba. Quem depende apenas da motivação treina quando está animado, cuida da alimentação quando está empolgado e se frustra quando esse entusiasmo naturalmente desaparece. E ele sempre desaparece.
É justamente nesse momento que a disciplina entra em cena. Disciplina não é rigidez, não é obsessão e muito menos punição. Disciplina é a capacidade de fazer o que precisa ser feito mesmo quando não existe vontade. É uma decisão que se repete. É entender que o corpo responde ao que é feito com frequência, não ao que é feito em picos de esforço. E a boa notícia é que disciplina se aprende. Ninguém nasce disciplinado. As pessoas se tornam disciplinadas quando param de negociar demais consigo mesmas.
No final do ano esse contraste fica ainda mais evidente. Muitos querem compensar em poucas semanas tudo aquilo que não foi feito ao longo dos meses. Querem correr atrás de resultados agora, quando o corpo já está cansado, a rotina está mais desorganizada e a mente está cheia de expectativas. Mas a verdade é simples e, para alguns, desconfortável: quem treinou durante o ano todo chega ao final do ano mais tranquilo. Não precisa de pressa. Não vive em modo de urgência. Mantém o que construiu com mais leveza.
Isso não significa desistir agora, nem “deixar para depois”. Significa entender o momento. Talvez o objetivo desse período não seja grandes transformações físicas, mas sim não abandonar completamente, manter alguma regularidade e respeitar o próprio processo. Constância não é intensidade extrema. Constância é honestidade com o que é possível sustentar.
O tempo, sempre ele, continua sendo o maior aliado de quem entende o jogo. Corpo, saúde e desempenho não respondem à ansiedade do calendário, mas à repetição de boas escolhas ao longo dos dias comuns, daqueles em que nada de especial acontece. Janeiro não muda ninguém por si só. O que muda as pessoas é o que elas fazem quando não estão motivadas, quando ninguém está olhando e quando o resultado ainda não apareceu.
Constância não faz barulho. Ela não promete atalhos e não gera euforia imediata. Mas é ela que constrói resultados que permanecem. Quem entende isso para de correr atrás do tempo e começa, de fato, a construir algo que dura.





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