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Como anda a saúde do seu coração?


Como Sempre, diversos assuntos surgidos durante as nossas sessões de treino despertam o interesse em escrever aqui temas que engajam de maneira ampla nossas discussões em aula. Dessa vez não foi diferente.


Saúde Cardiovascular: Como sei como anda meu coração?


As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Em aproximadamente 50% dos casos, o primeiro sintoma de uma doença cardíaca é a morte súbita, o que significa que milhares de pessoas perdem a vida sem nunca terem apresentado sinais de alerta prévios, como dor nas costas que migram para o peito ou falta de ar e aperto na caixa toráxica.


Diante dessa realidade alarmante, surge um questionamento fundamental: estamos avaliando o risco cardiovascular da maneira correta? Longe de querer atuar como cardiologista de plantão, preparei este artigo após discutir com alguns médicos que aqui treinam ( a alguns até são cardiologistas) para pode apresentar esse panora informativo. Este artigo explora as limitações dos check-ups tradicionais, a importância de marcadores genéticos como a Lipoproteína(a), os exames avançados necessários para uma prevenção eficaz e o papel crucial do estilo de vida na saúde do coração.


O Paradoxo do Check-up Tradicional e o Risco Oculto


É comum ouvirmos relatos de indivíduos que sofreram um infarto agudo do miocárdio pouco tempo após realizarem um check-up cardiológico cujos resultados foram considerados normais. Essa aparente contradição ocorre porque o modelo tradicional de avaliação — frequentemente baseado apenas em eletrocardiograma, teste ergométrico e exames laboratoriais básicos — foca na identificação de obstruções coronárias significativas e fatores de risco clássicos. No entanto, estudos demonstram que cerca de 65% dos infartos ocorrem em artérias que não apresentam obstruções severas prévias.


Esses eventos são frequentemente causados pela ruptura de pequenas placas de gordura instáveis (aterosclerose subclínica). Quando uma dessas placas se rompe, o organismo tenta cicatrizar a lesão formando um coágulo, o que pode obstruir completamente a artéria em questão de minutos. Como essas placas não causam estreitamento significativo do vaso antes da ruptura, elas não geram sintomas e não são detectadas por testes de esforço convencionais. Estima-se que em 75% dos casos de infarto, se o paciente tivesse sido submetido apenas a um check-up tradicional, os exames não teriam revelado nenhuma anormalidade.


Além disso, existe a condição conhecida como MINOCA (Myocardial Infarction with Non-Obstructive Coronary Arteries), que afeta de 5% a 15% dos pacientes que sofrem infarto.


Nesses casos, a angiografia coronária não revela obstruções maiores que 50%. As causas do MINOCA incluem ruptura ou erosão de placas não obstrutivas, vasospasmo coronário, disfunção microvascular e dissecção espontânea da artéria coronária.


A incapacidade dos exames tradicionais de detectar essas condições evidencia a necessidade urgente de uma abordagem diagnóstica mais sofisticada.


Lipoproteína(a): O Marcador Genético Silencioso

Um dos avanços mais significativos na cardiologia preventiva recente é a compreensão do papel da Lipoproteína(a), ou Lp(a). Trata-se de uma partícula semelhante ao colesterol LDL, mas com uma proteína adicional (apolipoproteína(a)) ligada a ela. A Lp(a) é um fator de risco independente e causal para doenças cardiovasculares ateroscleróticas, afetando aproximadamente 20% a 25% da população global.


O aspecto mais crítico da Lp(a) é que seus níveis são geneticamente determinados e permanecem relativamente constantes ao longo da vida, sendo pouco influenciados por dieta ou exercícios físicos. Indivíduos com níveis elevados de Lp(a) (geralmente considerados acima de 50 mg/dL, embora o risco possa aumentar a partir de 30 mg/dL) apresentam um risco substancialmente maior de infarto, acidente vascular cerebral e estenose da válvula aórtica, mesmo quando seus níveis de colesterol LDL estão dentro da faixa considerada ideal.


A Lp(a) atua através de múltiplos mecanismos patológicos: promove a formação acelerada de placas ateroscleróticas, estimula a inflamação vascular e possui propriedades pró-trombóticas (favorece a coagulação).


Como não é incluída nos exames de rotina, muitas pessoas com perfil lipídico aparentemente saudável carregam esse risco genético oculto. A medição da Lp(a) pelo menos uma vez na vida adulta é agora recomendada por diversas diretrizes internacionais para estratificação precisa do risco cardiovascular.


Protocolo de Check-up Confiável: Além do Básico

Para nos anteciparmos a um infarto e avaliarmos a saúde do coração com precisão, é necessário adotar um protocolo de exames que vá além da avaliação tradicional, incorporando biomarcadores avançados e exames de imagem de alta resolução.


Exames de Imagem Avançados

O Escore de Cálcio Coronariano (CAC) emergiu como uma ferramenta não invasiva, rápida e altamente reprodutiva para avaliar o risco cardiovascular. Realizado através de uma tomografia computadorizada sem contraste, o exame quantifica a calcificação nas artérias coronárias, um marcador direto da presença de aterosclerose. Um escore de cálcio igual a zero indica um risco muito baixo de eventos coronarianos nos próximos cinco anos, enquanto escores elevados reclassificam o paciente para categorias de maior risco, orientando a necessidade de terapias preventivas mais agressivas, como o uso de estatinas.


A Angiotomografia Coronariana é outro avanço crucial. Diferente do cateterismo (que é invasivo), este exame permite a visualização direta das artérias do coração, identificando não apenas o grau de obstrução, mas também a presença e a composição das placas (calcificadas, não calcificadas ou mistas). Isso possibilita a detecção daquelas pequenas placas instáveis responsáveis pela maioria dos infartos.


Biomarcadores Sanguíneos Preventivos

Um check-up cardiovascular completo deve incluir uma análise detalhada de biomarcadores que refletem diferentes vias patológicas:

Biomarcador

Função e Importância Clínica

Proteína C Reativa de Alta Sensibilidade (PCR-as)

Avalia a inflamação crônica de baixo grau. A inflamação desempenha um papel ativo na patogênese da aterosclerose e na instabilidade das placas. Níveis elevados de PCR-as são um fator de risco independente para eventos cardiovasculares


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Homocisteína

Um aminoácido cujo excesso (hiperhomocisteinemia) causa disfunção endotelial, proliferação de músculo liso e estenose arterial. É um fator de risco independente para doenças cardiovasculares


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Troponinas de Alta Sensibilidade (hs-cTn)

Tradicionalmente usadas para diagnosticar infarto agudo, os ensaios de alta sensibilidade agora permitem detectar lesões miocárdicas mínimas em indivíduos assintomáticos, fornecendo informações prognósticas robustas sobre o risco futuro


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Peptídeo Natriurético Tipo B (BNP)

Marcador liberado em resposta ao estiramento do músculo cardíaco. É fundamental para a avaliação de risco de insuficiência cardíaca e possui significativo valor prognóstico


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A combinação desses biomarcadores melhora substancialmente a estratificação de risco. Estudos indicam que adultos com níveis elevados de múltiplos biomarcadores (como troponina, BNP e PCR) apresentam um risco quase três vezes maior de sofrer um infarto em comparação com aqueles com níveis normais.


Controle Metabólico e Pressão Arterial

O controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial é inegociável na prevenção cardiovascular. A Glicemia de Jejum e, mais importante, a Hemoglobina Glicada (HbA1c) — que reflete a média da glicose no sangue nos últimos três meses — são essenciais. A resistência à insulina e o diabetes causam danos diretos ao endotélio vascular. A coexistência de diabetes e hipertensão arterial multiplica o risco de doenças cardiovasculares em duas a quatro vezes


A pressão arterial elevada aumenta a força do sangue contra as paredes arteriais, causando microlesões que facilitam a deposição de colesterol e a formação de placas.


O Papel Fundamental do Estilo de Vida

Embora a tecnologia diagnóstica tenha avançado, a base da prevenção cardiovascular continua sendo o estilo de vida. A genética (como a Lp(a)) carrega a arma, mas é o ambiente e o comportamento que puxam o gatilho.

O treino regular é um dos medicamentos mais potentes disponíveis. A prática de 150 a 300 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada melhora a função endotelial, reduz a pressão arterial, auxilia no controle do peso e otimiza o perfil lipídico. Estudos demonstram que o exercício físico regular pode reduzir em até 36% o risco de mortalidade por doenças cardíacas


A alimentação saudável atua diretamente na redução da inflamação sistêmica e no controle metabólico. Padrões alimentares como a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) ou a dieta Mediterrânea — ricas em vegetais, frutas, grãos integrais, peixes ricos em ômega-3 e pobres em gorduras saturadas, açúcares refinados e alimentos ultraprocessados — são comprovadamente eficazes na redução do risco cardiovascular


Por fim, o sono reparador tem ganhado destaque como um pilar essencial da saúde do coração. A privação crônica de sono ou distúrbios como a apneia obstrutiva do sono mantêm o sistema nervoso simpático hiperativo, elevando a pressão arterial, promovendo resistência à insulina e aumentando marcadores inflamatórios. Indivíduos que alcançam a duração e a qualidade ideais de sono apresentam incidência significativamente menor de doenças cardiovasculares


Conclusão

Saber como anda o coração exige muito mais do que um eletrocardiograma anual. A cardiologia preventiva moderna requer uma mudança de paradigma: de um modelo reativo, que espera a doença se manifestar ou a artéria obstruir, para um modelo proativo, que identifica o risco em suas fases mais precoces. A incorporação da dosagem de Lipoproteína(a), biomarcadores inflamatórios e de lesão miocárdica, aliada a exames de imagem como o Escore de Cálcio e a Angiotomografia, compõe o protocolo confiável necessário para evitar que o primeiro sintoma seja um evento fatal. Aliado a isso, o compromisso diário com exercícios, nutrição adequada e sono de qualidade continua sendo a intervenção mais poderosa para garantir uma vida longa e um coração saudável.


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